O sonho de todo jovem é morar longe dos pais. Eu também achava que morar longe de casa seria o máximo, não que eu quisesse fazer loucuras e noitadas, nada disso eu só queria uma oportunidade pra me encontrar saber quem eu realmente era. E eu consegui essa chance passei na prova da EMARC-UR, finalmente eu teria meu espaço, ficaria um pouco longe da família, conheceria gente nova e tal, mas eu nunca pensei que seria tão difícil viver no meio de gente completamente diferente de mim, gente que não faz ideia de quem eu sou, de como eu me comporto, muito menos de como minha família é.
A EMARC disponibiliza alojamento pra alunos de outras cidades como eu moro em Ilhéus consegui o alojamento.Os alojamentos são apartamentos coletivos, cada AP. tem de quatro a seis moradores imagine seis pessoas que teoricamente não se conhecem morando juntas. No meu AP. são duas veteranas e quatro calouras sendo duas do integrado ( ensino médio e técnico)e duas de agrimensura (eu e Ana Patrícia), até ai tudo bem nada demais só que eu tenho mania de achar que todo mundo é igual a mim. Tipo quando me apresentaram Ana me disseram que ela era cristã, dai eu fui logo achando que tipo assim ela não fizesse certas coisa como ficar, chingar e coisa e tal, é verdade que ela lê muito a bíblia mais do que eu, perante Deus ela deve ser uma serva fiel... mas pra mim é complicado ver esses comportamentos e não associar ao mundo.
Bom isso foi só um exemplo de como eu me decepciono fácil, fora isso tem os outros colegas que em situações normais eu provavelmente nunca teria contato e se tivesse seria com o pé atras.
Raio X dos meus colegas:
Clédson (inho): Natural de Ubaitaba (bem longe a minha cidade), é do tipo que gosta de arrocha (ecaaa), conversa mole, cantadas sem noção e uma arrogância tipica de quem se acha a última bolacha do pacote. Olho claro, magro, deixa as unhas grandes ( nojento demais)e usa Kenner, pronto tai uma pessoa que eu nem chegaria perto...
Jadson (Kern): Natural de Coaraci( já passei por lá, nunca parei), é pequeno deve ter 1,50m e por isso (eu acho) se defende das gozações atacando os outros, adora resenhar mas quando a resenha é com ele fica todo na defensiva como que se fazendo de vítima. Também é cristão, mas tem umas brincadeiras que me deixam com o pé atras( ele fala do meu bumbum como se fosse normal falar do corpo das outras pessoas na frente delas). Em outros tempos na primeira brincadeirinha ele teria levado uma barrada muito feia.
Everlon: Natural de Coaraci, talvez seja o único q tem um pouco a ver comigo, assim como os outros pelas fotos do Facebook eu jamais adicionaria se não fosse meu colega( cada foto brega).
Felix: Natural de Ubaitaba, muito inteligente e tem umas frases com duplo sentido, alem de gostar de brega tem fotos muito ridículas no face a começar pelo perfil. Fora isso nada demais.
Daniel: Natural de Almadina (cidade linda), talvez o único que eu tivesse oportunidade de conhecer. Cara legal sem piadinhas, sem duplo sentido, conhece de politica, sujeito inteligente, gosta de brega mas ninguém é perfeito então ta valendo.
Junior: Natural de Itajuípe, com certeza seria um grande amigo mesmo se eu conhecesse fora da EMARC, é legal, conhece o mundo, uma grande pessoa.
Os outros colegas eu não conheço a ponto de dizer se eu me relacionaria ou não com eles se não fosse pela EMARC.
Mas mesmo os citados (MENOS ANA PATRICIA) eu fico feliz em ter conhecido, mesmo sabendo que não são do tipo que eu to acostumada a conviver, eles são legais inteligentes e esforçados tenho certeza de que vão muito alem do que esperam deles.
Os meninos do AP.6 seriam do tipo que eu provavelmente criaria laços ou pelo menos resenharia um pouco caso conhecessem sem a EMARC.
O mais difícil é impor quem eu sou sem ofender quem eles são, quando eu conheci não me aproximei ( normal eu nunca me aproximo de ninguém), depois de um tempo fui me aproximando e achei que pudesse maquiar as diferenças, só que agora fica cada vez mais claro que não dá pra esperar deles atitudes e ideias próximas das minhas, eles são de um contexto totalmente diferente do meu.
Por essas e outras coisas muitas vezes eu fico querendo voltar pra casa onde eu conheço e sou conhecida, ficar sem apoio é muito novo pra mim eu sempre tive alguém que me conhecesse e tivesse pensamentos muito parecidos com os meus. Essa nova fase tem sido mais desafiadora do que eu tinha imaginado
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